PPCI

Quem pode elaborar o PPCI? O projeto de combate a incêndio é obrigatório no Paraná?

Engenheiro analisando projeto técnico de prevenção contra incêndio no ParanáPPCI
Sumário do artigo

O PPCI é obrigatório no Paraná para toda edificação não-residencial — comércios, indústrias, escolas, academias, igrejas, galpões e condomínios —, e só pode ser elaborado por engenheiro com registro ativo no CREA-PR ou arquiteto registrado no CAU, sempre com emissão de ART ou RRT. Quem precisa de PPCI e quem pode elaborar são dúvidas que aparecem juntas porque estão interligadas: o tipo de profissional exigido depende do mesmo enquadramento que define a obrigatoriedade do processo.

Neste artigo, a equipe da Scalia Engenharia responde às duas perguntas com base nas NPTs do CBMPR (Corpo de Bombeiros Militar do Paraná) e na legislação profissional vigente, regras que valem para todos os 399 municípios do estado, de Curitiba a Foz do Iguaçu. Confira também nosso artigo completo sobre quando o PPCI é obrigatório no Paraná para um panorama ainda mais detalhado.

Quem pode elaborar o PPCI no Paraná

O PPCI é documento técnico de engenharia que define as medidas de proteção de vidas em uma emergência. Por isso, a legislação profissional brasileira reserva sua elaboração a dois grupos. Veja mais detalhes em nosso guia sobre quem pode elaborar o PPCI.

  • Engenheiros com registro ativo no CREA-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), dentro das atribuições de sua habilitação, com emissão obrigatória de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica);
  • Arquitetos com registro ativo no CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), dentro de suas atribuições profissionais, com emissão de RRT (Registro de Responsabilidade Técnica).

Sem ART ou RRT vinculando o profissional ao projeto, o Corpo de Bombeiros simplesmente não aceita o protocolo. O documento é, portanto, a principal garantia jurídica do proprietário: em caso de falha técnica, o responsável identificável é o profissional que assinou, não o dono do imóvel.

ART e CREA-PR: o que você precisa saber antes de contratar

A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é o instrumento legal pelo qual o engenheiro assume responsabilidade perante o CREA-PR por um serviço específico. No contexto do PPCI no Paraná, a ART deve discriminar claramente a atividade "elaboração de projeto de segurança contra incêndio e pânico" e ser quitada antes do protocolo no CBMPR. O número da ART compõe obrigatoriamente a capa do projeto e o requerimento de entrada.

DocumentoProfissionalConselhoQuando emitir
ART de projetoEngenheiro civil, mecânico, eletricista etc.CREA-PRAntes do protocolo no CBMPR
ART de execuçãoEngenheiro responsável pela obra/instalaçãoCREA-PRAntes do início da execução
RRT de projetoArquiteto e urbanistaCAUAntes do protocolo no CBMPR
RRT de execuçãoArquiteto e urbanistaCAUAntes do início da execução

Quando o projeto de combate a incêndio é obrigatório

No Paraná, a obrigatoriedade de regularização junto ao CBMPR abrange toda edificação que não seja residência unifamiliar. Isso inclui comércios, serviços, indústrias, escolas, clínicas, restaurantes, academias, igrejas, galpões e condomínios residenciais. O que muda conforme o imóvel é o tipo de processo exigido, definido pela NPT 001 com base em quatro variáveis:

VariávelImpacto no processo
Área construída totalQuanto maior a área, mais medidas e projeto completo mais provável
Altura da edificaçãoPrédios mais altos exigem sistemas adicionais e vistoria obrigatória
Tipo de ocupação (uso)Reunião de público, hospitalar e industrial têm exigências mais rígidas
Carga de incêndio (risco)Alto volume de material combustível aumenta o nível de exigência

Licenciamento simplificado (CLCB)

Edificações de menor porte e baixo risco se enquadram no licenciamento simplificado (CLCB). O responsável técnico atesta as medidas básicas, extintores, sinalização e iluminação de emergência, e o certificado costuma ser emitido sem vistoria prévia do Corpo de Bombeiros. Mesmo aqui, a assinatura de engenheiro ou arquiteto com ART/RRT é obrigatória. Saiba tudo sobre o processo em nosso artigo sobre CLCB: o que é, quando é obrigatório e como emitir.

Projeto técnico completo (PPCI/PSCIP)

Edificações maiores, mais altas ou de maior risco passam pelo processo completo: elaboração do projeto, análise do CBMPR, execução das medidas e vistoria presencial antes da emissão do certificado. É nesse caminho que surgem os sistemas mais complexos, hidrantes, chuveiros automáticos (sprinklers), alarme centralizado e rotas de fuga dimensionadas. Entenda cada etapa em nosso guia de elaboração e aprovação do PPCI no Corpo de Bombeiros.

Tabela de enquadramento por área e atividade: CLCB ou PPCI?

A tabela abaixo ilustra o enquadramento típico conforme a NPT 001 do CBMPR. Os limites exatos dependem também da altura e da carga de incêndio, portanto o enquadramento definitivo deve ser confirmado por profissional habilitado com análise do imóvel real.

Ocupação / AtividadeÁrea típica para CLCBÁrea típica para PPCIObservação
Comércio varejista (lojas, farmácias)Até ~750 m²Acima de ~750 m²Carga de incêndio e altura influenciam
Escritórios e serviçosAté ~750 m²Acima de ~750 m²Edificações altas sempre exigem PPCI
Restaurantes e alimentaçãoAté ~750 m²Acima de ~750 m²Cozinha industrial pode antecipar PPCI
Academias e esportesAté ~750 m²Acima de ~750 m²Reunião de público pode elevar exigência
Escolas e crechesAté ~750 m²Acima de ~750 m²Ocupação vulnerável: regras reforçadas
Clínicas e consultóriosAté ~750 m²Acima de ~750 m²Saúde tem classificação de risco própria
Igrejas e salões de eventosCasos rarosQuase sempre PPCIReunião de público = exigência elevada
Galpões industriais e depósitosRaramenteQuase sempre PPCIAlta carga de incêndio determina PPCI
Edifícios residenciais (aptos)Não se aplicaSempre PPCIAltura e múltiplas unidades exigem projeto
Postos de combustívelNão se aplicaSempre PPCIRisco elevado, NPT específica

Quais tipos de edificação precisam de PPCI em qualquer cidade do Paraná

  • Comércio e serviços (lojas, escritórios, farmácias, academias, salões), qualquer área, algum nível de licenciamento é sempre exigido;
  • Alimentação (restaurantes, lanchonetes, padarias, bares), cozinhas aumentam o risco e a exigência de sistemas específicos;
  • Educação (escolas, creches, cursos), ocupação com público vulnerável, exigências reforçadas mesmo em áreas menores;
  • Saúde (clínicas, consultórios, laboratórios, farmácias), classificação de risco própria, saídas e sistemas de emergência obrigatórios;
  • Reunião de público (igrejas, salões de festas, teatros, casas de show), uma das classificações mais rigorosas do CBMPR;
  • Industrial e depósito (galpões, armazéns, fábricas), carga de incêndio alta determina nível elevado de proteção;
  • Condomínios residenciais (edifícios de apartamentos, sobrados em condomínio), escadas pressurizadas, extintores e alarmes são comuns.

Exemplos práticos de enquadramento: PPCI ou CLCB?

Para tornar o enquadramento mais concreto, veja situações reais frequentes atendidas pela Scalia Engenharia em cidades do Paraná. Em cada caso, o resultado final depende da análise técnica do profissional habilitado com base nas NPTs do CBMPR.

  1. Loja de roupas de 400 m² em shopping de Curitiba → PPCI completo. Mesmo com área relativamente pequena, o shopping enquadra a loja no risco do conjunto e a altura do empreendimento exige projeto completo.
  2. Clínica odontológica de 120 m² em sobrado → CLCB na maioria dos municípios paranaenses, desde que a edificação seja térrea ou com baixa altura e carga de incêndio reduzida.
  3. Galpão logístico de 2.000 m² em Londrina → PPCI obrigatório. Área elevada, possível carga de incêndio alta (mercadorias diversas) e necessidade de sistemas de hidrante e detecção.
  4. Igreja evangélica de 600 m² em município do interior → PPCI na maioria dos casos, pois reunião de público com essa área já ultrapassa os limites do CLCB nas NPTs do CBMPR.
  5. Escritório de advocacia de 80 m² em andar de edifício comercial alto → Regularização vinculada ao sistema do edifício, mas o locatário pode precisar de CLCB próprio dependendo da situação cadastral do imóvel.

Como decidir entre PPCI e CLCB: o fluxo de decisão do CBMPR

A decisão entre CLCB e PPCI não é uma escolha do proprietário: ela é determinada pelas características técnicas do imóvel e pelas regras das NPTs do CBMPR. O profissional habilitado faz a análise e indica o caminho correto. O fluxo simplificado é o seguinte:

  1. Identificar a ocupação (uso do imóvel): comércio, saúde, educação, industrial etc.;
  2. Levantar a área total construída e a altura da edificação;
  3. Estimar a carga de incêndio conforme os materiais presentes;
  4. Consultar a NPT 001 do CBMPR para verificar o enquadramento em CLCB ou PPCI;
  5. Definir as medidas de segurança exigidas pela NPT da respectiva ocupação;
  6. Elaborar o projeto ou o formulário de atestado com a ART/RRT do profissional;
  7. Protocolar no sistema do CBMPR e acompanhar análise, execução e vistoria.

Documentos necessários para protocolar o PPCI no CBMPR

Antes de iniciar o processo, o proprietário deve reunir um conjunto de documentos que o profissional habilitado vai precisar para elaborar e protocolar o projeto. Veja a lista completa em nosso artigo sobre documentos necessários para entrada do PPCI no CBMPR. Os itens mais comuns incluem:

  • Planta baixa da edificação em formato digital (DWG ou PDF) com cotas e áreas;
  • Memorial descritivo da atividade exercida no imóvel;
  • Matrícula do imóvel ou contrato de locação atualizado;
  • CNPJ da empresa ou CPF do proprietário;
  • Número da ART/RRT do profissional responsável pelo projeto;
  • Comprovante de pagamento da taxa de análise do CBMPR (quando aplicável);
  • Projetos complementares (elétrico, hidrossanitário) em caso de PPCI com sistemas especiais.

O que o PPCI deve conter: exigências técnicas do CBMPR

Um PPCI aprovado pelo CBMPR vai muito além de uma planta com extintores desenhados. As NPTs determinam um conjunto robusto de informações técnicas. Veja o detalhamento completo em nosso post sobre quais informações o PPCI deve conter. De forma resumida, o projeto precisa apresentar:

  • Plantas de situação e locação com identificação do terreno e acesso para viaturas;
  • Plantas baixas de todos os pavimentos com rotas de fuga, saídas de emergência e distâncias percorridas;
  • Memorial descritivo e de cálculo justificando cada medida adotada;
  • Especificações dos sistemas de extinção (extintores, hidrantes, sprinklers), detecção e alarme;
  • Projeto de sinalização de emergência conforme NPT de sinalização;
  • Projeto de iluminação de emergência com autonomia mínima definida em NPT;
  • Laudo de carga de incêndio quando exigido pela NPT da ocupação.

O que acontece sem o licenciamento

Imóvel irregular perante o CBMPR está sujeito a multa, interdição e negativa de alvará de funcionamento em qualquer município paranaense. Em caso de incêndio, o seguro pode ser invalidado e o proprietário responde civil e criminalmente pela ausência de medidas de segurança. Se você recebeu uma notificação do Corpo de Bombeiros, leia nosso artigo sobre o que fazer ao receber notificação dos bombeiros no Paraná. Regularizar antes de uma fiscalização é sempre mais barato e seguro do que agir após a autuação.

Como começar o processo de regularização do seu imóvel no Paraná

O primeiro passo é contratar um profissional habilitado (engenheiro ou arquiteto com registro ativo no CREA-PR ou CAU) para fazer o enquadramento correto do imóvel nas NPTs do CBMPR. A partir daí, o profissional elabora o projeto ou o atestado, emite a ART/RRT, e protocola o processo no sistema do Corpo de Bombeiros. Leia nosso guia sobre como começar o projeto de prevenção e combate a incêndio para um passo a passo detalhado.

Antes de protocolar, vale verificar se será necessária uma inspeção ou pré-vistoria dos bombeiros — procedimento recomendado para imóveis com dúvidas sobre enquadramento ou para edificações que passaram por reformas recentes.

Para informações e protocolamentos oficiais, acesse o CBMPR — Corpo de Bombeiros Militar do Paraná ou consulte o CREA-PR para questões de responsabilidade técnica.

Sobre o autor

Equipe Técnica Scalia

Engenharia de Segurança Contra Incêndio · CREA-PR

Conteúdo elaborado e revisado por engenheiros com registro ativo no CREA-PR, especializados em projetos de prevenção contra incêndio (PPCI), CLCB e AVCB no Paraná. Todos os artigos seguem as Normas de Procedimento Técnico (NPTs) do CBMPR e a legislação estadual vigente.

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Perguntas frequentes

Quem pode elaborar o PPCI no Paraná?

Somente engenheiro com registro ativo no CREA-PR ou arquiteto com registro no CAU, atuando dentro de suas atribuições. Em todo projeto deve ser emitida a ART (engenheiro) ou a RRT (arquiteto). Sem esse vínculo formal, o CBMPR não aceita o protocolo.

O projeto de combate a incêndio é obrigatório para todo imóvel comercial no Paraná?

Sim, em regra. Toda edificação não residencial unifamiliar precisa de regularização junto ao CBMPR. O tipo de processo varia conforme área, altura, ocupação e risco: licenciamento simplificado (CLCB) ou projeto técnico completo (PPCI/PSCIP) com vistoria.

Técnico em edificações pode assinar o PPCI?

Não. A legislação exige profissional de nível superior habilitado. O técnico pode auxiliar na execução dos sistemas, mas a elaboração e a assinatura do projeto são exclusivas do engenheiro ou arquiteto com registro ativo.

Projeto de combate a incêndio é a mesma coisa que PPCI?

Sim. Os termos projeto de combate a incêndio, projeto de prevenção, PPCI e PSCIP (nome oficial no Paraná) designam o mesmo conjunto técnico de documentos analisado e aprovado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná.

Qual a diferença entre PPCI e CLCB?

O CLCB é o licenciamento simplificado para edificações de pequeno porte e baixo risco: o profissional atesta as condições e o certificado pode ser emitido sem vistoria prévia. O PPCI (ou PSCIP) é o processo completo, com elaboração de projeto, análise técnica do CBMPR, execução dos sistemas e vistoria presencial obrigatória antes da emissão do certificado.

A ART do PPCI precisa ser registrada no CREA-PR?

Sim. A ART deve ser emitida e quitada no sistema do CREA-PR antes do protocolo no CBMPR. Sem o número da ART registrado, o processo não é aceito. O mesmo vale para a RRT do arquiteto junto ao CAU.

Posso usar o mesmo profissional para elaborar e executar o PPCI?

Sim, desde que ele tenha habilitação tanto para o projeto quanto para a execução dos sistemas previstos. Em sistemas especializados, como sprinklers ou detecção, o engenheiro pode subcontratar especialistas, cada um emitindo sua própria ART de execução.

O PPCI tem prazo de validade?

O projeto aprovado pelo CBMPR não tem validade, mas o certificado final (AVCB ou CLCB) tem prazo definido pelo CBMPR conforme a ocupação. Ao vencer, é necessário renovar o licenciamento, geralmente com nova vistoria e, se houver alterações no imóvel, atualização do projeto.

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