O Projeto de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) é o documento técnico que define todas as medidas de segurança de uma edificação e precisa ser aprovado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) antes de o imóvel ser considerado regular. Muita gente confunde o projeto com o certificado, ou acha que basta instalar um extintor. Na prática, o processo tem etapas bem definidas — e pular qualquer uma delas atrasa tudo. Se você ainda tem dúvidas sobre o conceito, veja nosso guia completo sobre o que é PPCI antes de continuar.
Base legal: Lei 16.575/2010 e Decreto 4.910/2012
No Paraná, a obrigatoriedade do licenciamento de segurança contra incêndio é estabelecida pela Lei Estadual 16.575/2010, que determina que toda edificação com área construída acima de determinados limites ou com atividade de risco deve ter projeto aprovado pelo CBMPR. O Decreto Estadual 4.910/2012 regulamenta essa lei e define as classes de risco, os prazos de validade dos certificados e as penalidades para quem descumprir. As Normas de Procedimento Técnico (NPTs) do CBMPR detalham os requisitos de cada sistema — de extintores a sprinklers. Todo projeto deve referenciar explicitamente as NPTs aplicáveis à edificação em análise.
As etapas do PPCI: do diagnóstico ao CLCB
Diagnóstico da edificação: levantamento da área construída, altura, atividade exercida e classificação de risco conforme a NPT 001 do CBMPR. Essa etapa define quais sistemas de segurança são obrigatórios.
Elaboração do projeto: o engenheiro CREA-PR (ou arquiteto CAU-PR) prepara as plantas baixas, cortes, memorial descritivo, dimensionamento dos sistemas e emite a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica).
Protocolo no CBMPR: o processo é aberto no sistema online do Corpo de Bombeiros, com o pagamento das taxas correspondentes ao porte da edificação.
Análise técnica: o CBMPR analisa o projeto. Pode haver exigências (pedidos de correção ou complementação), que o engenheiro responde no prazo estipulado.
Aprovação do projeto: com o projeto aprovado, o proprietário tem a autorização para executar as obras e instalar os sistemas.
Execução e instalação: os sistemas dimensionados no projeto são instalados: extintores (NPT 023), hidrantes (NPT 022), iluminação de emergência (NPT 018), sinalização (NPT 020), alarme (NPT 019), entre outros.
Vistoria do CBMPR: os bombeiros inspecionam o imóvel para confirmar que tudo foi executado conforme o projeto aprovado.
Emissão do CLCB: aprovada a vistoria, o Certificado de Licenciamento do Corpo de Bombeiros é emitido. É esse documento que a prefeitura exige para o alvará de funcionamento.
Quem elabora e assina o projeto PPCI
O projeto precisa ser assinado por engenheiro civil, mecânico ou de segurança do trabalho, ou arquiteto, com ART registrada no CREA-PR ou RRT no CAU-PR. Sem responsabilidade técnica, o CBMPR devolve o processo sem análise. "Despachantes" que vendem projetos sem engenheiro por trás cometem exercício ilegal da profissão e transferem o risco inteiro para o proprietário do imóvel. Saiba mais em nosso post sobre quem pode elaborar o PPCI.
ART e responsabilidade técnica: o que não pode faltar
A ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) é o instrumento que vincula o engenheiro ao projeto perante o CREA-PR. Ela precisa ser emitida para a atividade correta — no caso do PPCI, para "elaboração de projeto de prevenção e combate a incêndio". Uma ART emitida para atividade genérica, como "projetos de engenharia", pode ser recusada pelo analista do CBMPR. Para entender melhor a relação entre laudo, ART e o processo de licenciamento, veja nosso post sobre laudo técnico e ART para bombeiros no Paraná.
Documentos necessários para protocolar
Plantas baixas aprovadas pela prefeitura (ou levantamento arquitetônico, se não houver projeto aprovado);
Memorial descritivo dos sistemas de segurança com especificação de materiais e equipamentos;
ART do responsável técnico registrada no CREA-PR para a atividade correta;
Matrícula do imóvel ou contrato de locação vigente;
CNPJ do estabelecimento ou CPF do requerente;
Comprovante de pagamento das taxas do CBMPR;
Formulários preenchidos no sistema online do Corpo de Bombeiros (SISLAM ou plataforma equivalente);
Documentação complementar exigida para atividades de risco especial (postos de combustível, hospitais, depósitos de inflamáveis).
Classificação de risco e sistemas exigidos por atividade
A NPT 001 do CBMPR classifica as edificações em grupos (A a M) conforme a ocupação e em divisões conforme características específicas. Essa classificação determina quais sistemas são obrigatórios. Uma loja de roupas (Grupo D) tem exigências bem diferentes de um depósito de tintas (Grupo J). O engenheiro precisa identificar corretamente o grupo e a divisão para não dimensionar sistemas a menos — o que reprovaria na vistoria — nem a mais — o que encarece desnecessariamente a obra.
Sistemas obrigatórios por grupo de ocupação (exemplos mais comuns)
Grupo / Ocupação
Extintores
Hidrantes
Alarme
Ilum. Emergência
Saída de Emergência
A — Residencial (condomínios)
Sim
Conforme área/altura
Conforme altura
Sim
Sim
C — Comercial varejista
Sim
Conforme área
Conforme área
Sim
Sim
D — Serviços profissionais
Sim
Conforme área
Opcional (pequeno porte)
Sim
Sim
F — Locais de reunião (igrejas, teatros)
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim (cálculo especial)
J — Depósitos de inflamáveis
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim + Supressão
M — Industrial / Fabricação
Sim
Sim (ampliado)
Sim
Sim
Sim
Taxas do CBMPR: o que você vai pagar ao protocolar
As taxas de análise e vistoria do CBMPR são calculadas com base na área construída e na classe de risco. A tabela abaixo apresenta faixas aproximadas para edificações comuns no Paraná. Os valores são reajustados periodicamente pelo governo estadual — sempre confirme os valores oficiais no site do CBMPR antes de protocolar.
Taxas aproximadas do CBMPR por porte de edificação (referência 2025/2026)
Área construída
Risco baixo (CLCB)
Risco médio/alto (AVCB)
Vistoria
Até 750 m²
R$ 150 a R$ 400
R$ 300 a R$ 700
R$ 100 a R$ 250
750 a 2.500 m²
R$ 400 a R$ 900
R$ 700 a R$ 1.800
R$ 250 a R$ 500
2.500 a 10.000 m²
R$ 900 a R$ 2.500
R$ 1.800 a R$ 4.500
R$ 500 a R$ 1.200
Acima de 10.000 m²
Sob consulta
Sob consulta
Sob consulta
Prazos realistas: o que esperar em cada fase
Prazos médios por porte de edificação
Porte
Análise CBMPR
Execução + Vistoria
Total estimado
Pequeno (até 750 m²)
15 a 30 dias
15 a 30 dias
30 a 60 dias
Médio (750 a 2.500 m²)
30 a 60 dias
30 a 60 dias
60 a 120 dias
Grande (acima de 2.500 m²)
60 a 90 dias
45 a 90 dias
90 a 180 dias
Esses prazos valem para processos sem exigências. Se o CBMPR abrir exigência (pedido de correção), o relógio para enquanto o engenheiro não responde — e reinicia quando a resposta é protocolada. Por isso, entregar o processo completo e correto na primeira vez pode encurtar o prazo total em semanas.
O que trava o processo e como evitar
Os principais motivos de devolução ou reprovação de projetos no CBMPR são: plantas fora de escala ou sem legenda adequada; memorial descritivo incompleto (sem especificações dos materiais); ART emitida para disciplina diferente da solicitada; incompatibilidade entre o projeto e as NPTs vigentes; e falta de documentação do imóvel. Um engenheiro especializado em segurança contra incêndio conhece exatamente o que cada analista do CBMPR vai checar e entrega o processo completo na primeira vez.
Plantas fora de escala ou sem norte: o CBMPR exige escala legível e indicação de norte geográfico em todas as plantas;
Memorial sem especificação de equipamentos: citar apenas "extintor de pó BC" sem especificar capacidade e quantidade por área é motivo de exigência;
Confusão entre ART de elaboração e ART de execução: o projeto exige ART de elaboração; a vistoria final exige ART de execução emitida pela instaladora;
Incompatibilidade com NPT vigente: usar referência de NPT desatualizada pode reprovar o projeto inteiro;
Ausência de corte esquemático de hidrantes: para edificações com mais de um pavimento, o corte esquemático é obrigatório pela NPT 022;
Planta de cobertura ausente: necessária para verificar o sistema de iluminação de emergência em áreas de escape.
PPCI nas principais cidades do Paraná: o que muda na prática
Como o licenciamento é estadual, as NPTs do CBMPR valem igualmente em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. O que muda entre as cidades é a infraestrutura do Grupamento de Bombeiros local, que pode afetar o tempo de resposta para vistorias. Em Curitiba e região metropolitana, a demanda é maior e pode haver fila para vistoria. Em cidades menores — como Apucarana, Campo Mourão ou Guarapuava — o agendamento costuma ser mais rápido, mas o Grupamento pode ter menos analistas para projetos de maior complexidade.
CLCB ou AVCB: qual certificado você vai receber?
Após a aprovação do projeto e a vistoria favorável, o CBMPR emite o certificado conforme a classe de risco da edificação. Edificações de risco baixo recebem o CLCB (Certificado de Licenciamento do Corpo de Bombeiros). Edificações de risco médio e alto recebem o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). O processo de elaboração do PPCI é praticamente idêntico nos dois casos; o que muda são os sistemas exigidos e o rigor da vistoria. Para uma comparação detalhada, acesse nosso post sobre AVCB, CLCB e CVCB no Paraná.
Validade e renovação: quando o processo recomeça
O CLCB e o AVCB têm prazo de validade definido em função da classe de risco e do tipo de certificado — geralmente 1 a 5 anos. Edificações de risco alto (como postos de combustível e depósitos de inflamáveis) costumam ter certificados anuais. Estabelecimentos comerciais de baixo risco podem ter CLCB com validade de até 5 anos. Antes do vencimento, é preciso protocolar a renovação. Se houver alteração na edificação — reforma, mudança de atividade ou ampliação de área — a atualização do projeto é obrigatória independentemente do prazo de validade.
Recebi notificação dos Bombeiros: tenho prazo para regularizar?
Sim. Quando o CBMPR emite uma notificação por irregularidade, ela traz um prazo para regularização — em geral de 30 a 180 dias, dependendo da gravidade. Se o prazo vencer sem a protocolação do PPCI, a multa pode ser aplicada e a situação encaminhada para a fiscalização municipal, que pode embargar o alvará de funcionamento. A boa notícia: na maioria dos casos, protocolar o projeto antes do prazo suspende a multa enquanto o processo tramita. Se você recebeu uma notificação, leia nosso guia sobre o que fazer quando receber notificação dos Bombeiros no Paraná.
Como a Scalia Engenharia conduz seu processo do início ao fim
Desde o diagnóstico inicial até a emissão do CLCB ou AVCB, a Scalia Engenharia gerencia cada etapa do processo. Nossos engenheiros CREA-PR elaboram o projeto conforme as NPTs vigentes, protocolam no sistema do CBMPR, acompanham a análise técnica, respondem exigências e orientam a execução das instalações para garantir aprovação na vistoria. O atendimento é 100% online para todo o Paraná, com prazo de elaboração de projeto a partir de 5 dias úteis para edificações de pequeno porte.
Conteúdo elaborado e revisado por engenheiros com registro ativo no CREA-PR, especializados em projetos de prevenção contra incêndio (PPCI), CLCB e AVCB no Paraná. Todos os artigos seguem as Normas de Procedimento Técnico (NPTs) do CBMPR e a legislação estadual vigente.
Somente engenheiro ou arquiteto habilitado e com ART ou RRT registrada no CREA-PR ou CAU-PR. O CBMPR não aceita projetos sem responsabilidade técnica.
Quanto tempo leva para aprovar o PPCI no CBMPR?
Em média 30 a 90 dias para análise do projeto, dependendo do porte e da complexidade da edificação. Após a aprovação, a execução e a vistoria somam mais 30 a 60 dias em projetos de médio porte.
O que acontece se meu imóvel estiver irregular com os Bombeiros?
O estabelecimento fica sujeito a multa, interdição e, no caso de sinistro, responsabilidade civil e criminal do proprietário ou responsável. Seguros de incêndio também podem ser invalidados.
Posso protocolar o PPCI sem ter feito obras ainda?
Sim. O projeto é protocolado antes das obras. O CBMPR analisa o projeto, aprova, e só após a execução e a vistoria emite o CLCB.
O processo é diferente para cada cidade do Paraná?
Não. O licenciamento de segurança contra incêndio no Paraná é estadual, gerido pelo CBMPR. O processo e as normas (NPTs) são os mesmos em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e qualquer outro município paranaense.
Qual a diferença entre PPCI, CLCB e AVCB?
O PPCI é o projeto técnico (o documento com plantas e sistemas). O CLCB (Certificado de Licenciamento) é o certificado emitido após a aprovação e vistoria para edificações de baixo risco. O AVCB (Auto de Vistoria) é o certificado equivalente para edificações de risco médio e alto. Você precisa do projeto para obter qualquer um dos certificados.
Quanto custa para elaborar e aprovar um PPCI no Paraná?
O custo envolve dois componentes: os honorários do engenheiro responsável (que variam com a área e complexidade da edificação) e as taxas oficiais do CBMPR, calculadas com base na área construída e na classe de risco. Para edificações simples de até 750 m², o total costuma ficar entre R$ 2.000 e R$ 5.000. Edificações maiores ou de risco elevado podem ultrapassar R$ 15.000.
O PPCI precisa ser renovado? Com que frequência?
O CLCB e o AVCB têm prazo de validade definido pelo CBMPR conforme a classe de risco da edificação — em geral de 1 a 5 anos. Antes do vencimento, é necessário solicitar a renovação, que pode exigir nova vistoria. Alterações na edificação ou na atividade exercida também obrigam a atualização do projeto.
Estabelecimentos comerciais no Paraná se enquadram no Grupo C do CBMPR e têm exigências de PPCI que variam conforme porte e subgrupo. Entenda o que seu comércio precisa, o que significa receber auto de infração dos bombeiros e como regularizar.
Fábricas no Paraná pertencem ao Grupo I (industrial) do CBMPR, com exigências que variam drasticamente entre uma confecção de baixo risco e uma indústria química de alto risco. Entenda a classificação I-1 a I-4, os sistemas obrigatórios e como regularizar junto ao Corpo de Bombeiros.
Receber notificação do CBMPR é mais comum do que parece e tem solução. Este guia explica o que fazer dia a dia após a notificação, o que muda entre loja de rua e loja em shopping, e quanto custa regularizar nas principais cidades do Paraná.