Em uma emergência com fumaça, queda de energia e pânico coletivo, as placas de sinalização de saída de emergência são muitas vezes o único recurso que orienta as pessoas para fora do perigo. Por isso, a NPT 020 do CBMPR trata a sinalização de segurança como medida obrigatória em todo imóvel sujeito a licenciamento no Paraná — e as vistorias do Corpo de Bombeiros verificam com atenção tanto a presença quanto a qualidade e o posicionamento das placas.
Neste artigo, você vai entender quais são os tipos de sinalização exigidos, como devem ser posicionados e quais são os erros mais comuns que geram exigências nas vistorias do CBMPR.
Normas que regem a sinalização no Paraná
A sinalização de segurança contra incêndio no Paraná é regulamentada por dois documentos principais:
NBR 13434 (ABNT) — Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico: define as formas, cores, pictogramas e requisitos gerais de todos os tipos de sinalização;
NPT 020 (CBMPR) — Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico: norma estadual que detalha os requisitos de aplicação no Paraná, incluindo localização, altura de instalação e luminância mínima.
Tipos de sinalização exigidos no PPCI
Sinalização de proibição
Placas com fundo branco e símbolo vermelho que indicam ações proibidas nas imediações de sistemas de incêndio. Exemplos: "Proibido fumar", "Proibido usar celular em posto de combustível", "Proibido bloquear saída de emergência".
Sinalização de alerta (aviso)
Placas com fundo amarelo e símbolo preto que identificam riscos e áreas de perigo. São usadas para indicar materiais inflamáveis, risco elétrico, substâncias corrosivas e demais perigos específicos presentes na edificação.
Sinalização de orientação e salvamento
São as placas mais conhecidas: fundo verde e símbolo branco, indicando saídas, rotas de fuga, localização de extintores, hidrantes e pontos de encontro. Incluem setas direcionais e a clássica placa "SAÍDA" com ícone de pessoa correndo. É o tipo mais numeroso no projeto e o mais verificado nas vistorias.
Sinalização de equipamentos de combate a incêndio
Placas vermelhas com símbolo branco que identificam a localização de extintores, hidrantes, mangueiras, acionadores manuais de alarme e outros equipamentos de combate. São instaladas acima ou ao lado dos equipamentos para que sejam visíveis mesmo quando o equipamento está parcialmente obstruído.
Fotoluminescência: o requisito mais verificado em vistorias
A NPT 020 do CBMPR exige que a sinalização nas rotas de fuga seja fotoluminescente — ou seja, os materiais das placas devem absorver luz ambiente e reemiti-la por um período mínimo após a falta de luz. A luminância residual mínima exigida é de 2 mcd/m² após 60 minutos no escuro, conforme a norma técnica.
Na prática, nem toda placa fotoluminescente vendida no mercado atende a esse requisito. O engenheiro responsável pelo PPCI deve especificar placas com certificação e laudo de luminância que comprovem o desempenho exigido pela norma. Placas sem laudo de desempenho fotoluminescente são rejeitadas na vistoria do CBMPR.
Requisitos de posicionamento e instalação
A NPT 020 do CBMPR define critérios precisos de posicionamento das placas. Os principais são:
Altura de instalação: placas de orientação e saída devem ser instaladas de forma que o centro da placa esteja entre 1,80 m e 3,60 m do piso, para garantir visibilidade acima da fumaça que tende a se acumular na parte inferior;
Distância entre sinais: em corredores longos, uma placa deve ser visível da posição anterior — a continuidade da sinalização não pode ter lacunas;
Indicação de direção: em cruzamentos e mudanças de direção, a seta direcional deve indicar claramente o caminho correto para a saída mais próxima;
Visibilidade desobstruída: nenhum elemento (móvel, planta, equipamento ou produto em estoque) pode obstruir a placa ou reduzir sua legibilidade à distância;
Complementação com iluminação: em ambientes com baixa luminosidade natural, a sinalização fotoluminescente deve ser complementada por iluminação direta que garanta a absorção de luz suficiente.
Manutenção da sinalização: o que fazer e com que frequência
A sinalização de emergência não é instalação permanente sem necessidade de atenção. Com o tempo, as placas fotoluminescentes perdem eficiência, acumulam sujeira, desbotam ou são danificadas por reforma, mudança de layout ou vandalismo. A manutenção periódica é parte integrante do PPCI:
Rotina de manutenção da sinalização de segurança
Atividade
Frequência
Responsável
Inspeção visual (integridade e visibilidade)
Mensal
Responsável pelo imóvel
Limpeza das placas (remoção de poeira e sujeira)
Trimestral
Responsável pelo imóvel
Verificação de luminância
Anual
Responsável técnico habilitado
Substituição de placas danificadas ou desbotadas
Conforme necessidade
Responsável pelo imóvel
Erros mais comuns que geram exigências do CBMPR
Ausência de sinalização de saída em corredores secundários e escadas de serviço;
Placas sem certificação de fotoluminescência ou com desempenho inferior ao mínimo exigido;
Setas direcionais apontando para sentido errado (instalação invertida ou sem revisão pós-reforma);
Sinalização obstruída por prateleiras, painéis, TVs ou outros elementos;
Placas instaladas abaixo da altura mínima, onde a fumaça cobre o aviso em emergência;
Falta de sinalização do extintor após remanejamento do equipamento sem atualização das placas.
Sobre o autor
Equipe Técnica Scalia
Engenharia de Segurança Contra Incêndio · CREA-PR
Conteúdo elaborado e revisado por engenheiros com registro ativo no CREA-PR, especializados em projetos de prevenção contra incêndio (PPCI), CLCB e AVCB no Paraná. Todos os artigos seguem as Normas de Procedimento Técnico (NPTs) do CBMPR e a legislação estadual vigente.
Qual norma rege a sinalização de segurança contra incêndio no Paraná?
A sinalização de segurança contra incêndio no Paraná é regida pela NBR 13434 (Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico) e pela NPT 020 do CBMPR (Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico). A NPT estadual prevalece sobre a norma ABNT em caso de divergência.
O que é sinalização fotoluminescente e por que é obrigatória?
Sinalização fotoluminescente absorve luz ambiente e brilha no escuro por horas após a falta de energia, orientando a evacuação mesmo sem iluminação de emergência. É obrigatória nas rotas de fuga porque garante visibilidade em situações de fumaça e queda de energia elétrica.
Placa de saída de emergência precisa ser iluminada?
Depende do tipo e da localização. Placas em rotas de fuga internas normalmente precisam ser iluminadas ou fotoluminescentes com luminância suficiente. O projeto define quais placas são autoluminosas (com luz própria) e quais são fotoluminescentes baseadas em absorção de luz ambiente.
Com que frequência a sinalização precisa ser verificada?
A inspeção visual deve ser feita mensalmente pelo próprio responsável pelo imóvel. A verificação técnica formal (luminância, integridade, posicionamento) é feita pelo responsável técnico nas manutenções periódicas e antes da vistoria de renovação do PPCI.
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