Os extintores de incêndio são a medida de segurança presente em praticamente todo PPCI, independentemente do porte ou do tipo de edificação. São o primeiro recurso de combate a um princípio de incêndio e, quando utilizados corretamente e no momento certo, podem evitar que um foco pequeno se transforme em um incêndio declarado. Entender as classes de incêndio, os tipos de extintores e os requisitos do CBMPR (Corpo de Bombeiros Militar do Paraná) para projeto e manutenção é fundamental tanto para proprietários de imóveis quanto para responsáveis técnicos.
Classes de incêndio: a base para escolher o extintor certo
A classificação do incêndio define qual agente extintor pode ser utilizado com segurança e eficiência. Usar o extintor errado pode agravar o incêndio ou representar risco para o operador. No Brasil, a classificação segue a NBR 13485 e divide os incêndios em cinco classes:
Óleo vegetal, manteiga, gordura animal em fritadeiras e fogões
Tipos de extintores e agentes extintores
Extintor de pó químico seco ABC
É o extintor mais versátil e o mais comum nas edificações brasileiras. Age nas classes A, B e C, e por isso é adequado para escritórios, comércios, corredores e áreas mistas. O agente extintor (fosfato de monoamônio) é eficaz, mas deixa resíduo em pó que pode danificar equipamentos eletrônicos sensíveis. Não é indicado como única opção em ambientes com muitos equipamentos elétricos de precisão.
Extintor de CO₂ (dióxido de carbono)
O extintor de CO₂ é o mais indicado para ambientes com equipamentos elétricos e eletrônicos porque não conduz eletricidade e não deixa resíduo. Age nas classes B e C. Não deve ser usado em ambientes abertos com vento, pois o CO₂ se dispersa rapidamente. É o extintor padrão para salas de servidores, painéis elétricos e ambientes de tecnologia.
Extintor de água pressurizada
Age exclusivamente na classe A. É eficiente no resfriamento de materiais sólidos e na eliminação da brasa residual. É absolutamente proibido em incêndios elétricos (classe C) e em líquidos inflamáveis (classe B). Recomendado para depósitos de papel, livrarias, arquivos e áreas com grande quantidade de material sólido combustível.
Extintor de espuma mecânica
Age nas classes A e B. A espuma cobre o líquido inflamável com uma camada que impede o contato com o oxigênio. É comum em postos de combustível, garagens, depósitos de tintas e indústrias com líquidos inflamáveis. Não deve ser usado em incêndios classe C.
Extintor Classe K (cozinhas profissionais)
Específico para cozinhas profissionais com fritadeiras e fogões industriais. Age nos óleos e gorduras em alta temperatura com uma reação que forma uma camada de sabão que bloqueia o fogo. Restaurantes, padarias, lanchonetes e toda cozinha profissional no Paraná precisam de extintor classe K posicionado próximo ao fogão e à fritadeira — esse item deve constar no guia completo do PPCI da edificação.
Requisitos da NPT 023 do CBMPR para extintores no projeto
A NPT 023 do CBMPR disciplina os requisitos de projeto para extintores de incêndio no Paraná. Esses requisitos fazem parte do processo de elaboração e aprovação do PPCI no Corpo de Bombeiros. Os principais pontos que o engenheiro considera ao dimensionar os extintores no PPCI são:
Classificação do risco: leve (escritórios, residências), médio (comércio, restaurantes) e alto (depósitos, indústrias), cada nível tem parâmetros de quantidade e capacidade diferentes;
Unidades extintoras (UE): cada extintor tem uma capacidade de extinção expressa em UE; o projeto soma as UEs necessárias para a área protegida;
Raio máximo de percurso: distância máxima que o ocupante precisa percorrer para chegar ao extintor mais próximo (até 20 m para risco leve, 15 m para médio, 10 m para alto);
Altura de instalação: a alça do extintor deve estar a no máximo 1,60 m do piso;
Sinalização: cada extintor deve ter sinalização padrão ABNT visível mesmo à distância;
Acessibilidade: caminho livre, sem obstruções, entre o extintor e qualquer ponto da área coberta.
Manutenção e recarga: como manter o extintor válido
Extintor com prazo de manutenção vencido não tem validade legal e é infração identificada nas vistorias do CBMPR. Manter os extintores em dia é um dos documentos e requisitos necessários para entrada no CBMPR. A NBR 12962 define três níveis de manutenção:
Tipos de manutenção de extintores conforme NBR 12962
Tipo
Frequência
O que é feito
Inspeção
Mensal (pelo usuário)
Verificação visual: selo, pressão, localização, sinalização e acesso livre
Manutenção
Anual (por empresa credenciada)
Teste de pressão, verificação interna, lubrificação, substituição de peças
Recarga
Conforme prazo do extintor ou após qualquer uso
Substituição do agente extintor e do gás propelente
Erros mais comuns com extintores em fiscalizações do CBMPR
Extintor de tipo errado para o risco do ambiente (ex.: extintor de água em sala com quadro elétrico);
Extintor obstruído por móveis, caixas ou equipamentos, inacessível em caso de emergência;
Extintor instalado em altura acima de 1,60 m, tornando-o inacessível para pessoas de menor estatura;
Sinalização ausente ou danificada, dificultando a localização rápida do extintor;
Manutenção vencida ou lacre rompido sem substituição.
Conteúdo elaborado e revisado por engenheiros com registro ativo no CREA-PR, especializados em projetos de prevenção contra incêndio (PPCI), CLCB e AVCB no Paraná. Todos os artigos seguem as Normas de Procedimento Técnico (NPTs) do CBMPR e a legislação estadual vigente.
Quais são as classes de incêndio e como elas definem o tipo de extintor?
As classes são: A (materiais sólidos como madeira, papel, tecido), B (líquidos inflamáveis como gasolina, álcool, tintas), C (equipamentos elétricos energizados), D (metais combustíveis como magnésio e titânio) e K (óleos e gorduras vegetais ou animais em cozinhas). Cada classe exige um agente extintor compatível.
Qual extintor usar para fogo em equipamentos elétricos?
Para incêndios Classe C (equipamentos elétricos energizados), o extintor de CO₂ (dióxido de carbono) é o mais indicado por não conduzir eletricidade e não deixar resíduo. O extintor de pó ABC também pode ser usado, mas danifica os equipamentos com o resíduo.
Com que frequência o extintor precisa de manutenção?
Inspeção visual mensal (feita pelo próprio usuário), manutenção anual por empresa credenciada e recarga conforme o prazo de validade indicado no extintor ou após qualquer uso, mesmo parcial.
Qual a distância máxima entre extintores no PPCI?
Conforme a NPT 023 do CBMPR, o raio de cobertura de cada extintor varia conforme a classe de risco: até 20 metros de percurso para risco leve, 15 metros para risco médio e 10 metros para risco alto. Esses valores guiam o posicionamento no projeto.
O extintor de CO₂ ou PQS é melhor para escritórios com equipamentos eletrônicos?
Para ambientes com computadores e equipamentos eletrônicos, o CO₂ é preferível pois não danifica os equipamentos nem deixa resíduo. O PQS é mais versátil e eficaz em chamas, mas deposita resíduo que pode danificar eletrônicos.
Qual a validade do extintor de incêndio?
Os extintores passam por manutenção anual obrigatória e hidroteste periódico conforme a ABNT NBR 12962. A validade de cada extintor varia pelo tipo: os de CO₂ têm prazo de hidroteste diferente dos de PQS, por exemplo.
Extintor de incêndio precisa de ART no PPCI?
O projeto de dimensionamento dos extintores deve ser elaborado por engenheiro habilitado com ART assinada, como parte do PPCI. A instalação e manutenção também devem ser realizadas por empresa credenciada.
Qual norma define o posicionamento dos extintores no PPCI?
A NPT 021 do CBMPR disciplina o dimensionamento, posicionamento e quantidade de extintores por área e por classe de risco da edificação no Paraná.
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