Feiras de negócios, exposições culturais, convenções, salões de automóveis, exposições agropecuárias e qualquer estrutura temporária montada para reunir público no Paraná estão sujeitas às NPTs do CBMPR. A diferença em relação a eventos em espaços fixos é que as estruturas temporárias têm normas específicas sobre materiais construtivos, saídas de emergência, sinalização e brigada de incêndio, que precisam ser consideradas desde a fase de projeto.
O que caracteriza uma estrutura temporária para o CBMPR
Para o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, estrutura temporária é toda instalação montada com finalidade específica e por período limitado, sem as características de uma edificação permanente. Isso inclui:
Tendas e coberturas temporárias de lona, PVC ou tecido retardante de chama;
Pavilhões modulares com estrutura metálica e vedações removíveis;
Palcos e camarins montados para shows, espetáculos e eventos culturais;
Estandes dentro de pavilhões de feiras e exposições;
Camarotes e arquibancadas temporárias para eventos esportivos;
Estruturas de armazenamento montadas para feiras agropecuárias e rurais.
Normas aplicáveis a estruturas temporárias no Paraná
O projeto de segurança de uma estrutura temporária no Paraná precisa seguir tanto as NPTs do CBMPR quanto as normas ABNT pertinentes. Os principais documentos de referência são:
Principais normas para estruturas temporárias no Paraná
Norma
Tema
NPT 001 CBMPR
Procedimentos administrativos e classificação de edificações e áreas de risco
NPT 011 CBMPR
Saídas de emergência em edificações
NPT 018 CBMPR
Iluminação de emergência
NPT 020 CBMPR
Sinalização de segurança contra incêndio e pânico
NPT 023 CBMPR
Extintores de incêndio
NBR 15247
Estruturas temporárias para eventos
NBR 6836
Tecidos para coberturas e tendas — classificação de inflamabilidade
Exigências sobre materiais construtivos
Um dos pontos mais críticos em feiras e exposições é a classificação de reação ao fogo dos materiais utilizados. O CBMPR exige que tendas, coberturas e divisórias utilizadas em estruturas temporárias sejam confeccionadas com materiais que atendam aos índices de inflamabilidade estabelecidos pelas normas ABNT.
Na prática, isso significa que o organizador deve exigir dos fornecedores de tendas e coberturas os laudos de certificação comprovando que o material tem tratamento retardante de chama ativo. Tendas com lona comum sem esse tratamento são proibidas e podem ser impedidas de operar durante fiscalização.
Saídas de emergência em feiras e exposições
O dimensionamento das saídas de emergência em estruturas temporárias segue os mesmos princípios das edificações fixas, mas com adaptações para o contexto: a largura das saídas e a quantidade de rotas devem comportar a lotação máxima prevista, e as saídas precisam estar desobstruídas durante todo o evento. O acúmulo de estandes, equipamentos ou público nas proximidades das saídas é uma das irregularidades mais recorrentes identificadas em fiscalizações de feiras.
Brigada de incêndio em eventos temporários
Eventos temporários de maior porte precisam de brigada de incêndio — equipe treinada que atua no primeiro combate e na orientação do abandono do local em caso de emergência. O número de brigadistas depende da capacidade do evento e do nível de risco da ocupação. A brigada precisa estar presente desde a montagem até a desmontagem total do evento, não apenas no período de abertura ao público.
Processo de licenciamento junto ao CBMPR
Contratação do responsável técnico (engenheiro com CREA-PR ou arquiteto com CAU) para elaboração do projeto;
Levantamento do espaço e das estruturas que serão montadas;
Elaboração do projeto de segurança conforme as NPTs aplicáveis;
Protocolo junto ao CBMPR com projeto, ART/RRT e documentação exigida;
Análise e possíveis exigências por parte do Corpo de Bombeiros;
Execução das medidas previstas no projeto aprovado;
Vistoria presencial do CBMPR antes da abertura ao público (quando exigida);
Emissão do certificado e liberação do evento.
Quem responde por quê: organizador e expositores
Em feiras e exposições, a responsabilidade pela segurança tem divisão clara:
Organizador do evento: responsável pelo projeto geral de segurança, pelo licenciamento do espaço e das estruturas comuns (tendas, pavilhões, palcos, circulação principal) junto ao CBMPR;
Expositores: responsáveis pelas medidas de segurança específicas do seu estande, incluindo os extintores próprios quando exigidos, a conformidade dos materiais utilizados e o respeito às rotas de fuga do projeto geral.
Sobre o autor
Equipe Técnica Scalia
Engenharia de Segurança Contra Incêndio · CREA-PR
Conteúdo elaborado e revisado por engenheiros com registro ativo no CREA-PR, especializados em projetos de prevenção contra incêndio (PPCI), CLCB e AVCB no Paraná. Todos os artigos seguem as Normas de Procedimento Técnico (NPTs) do CBMPR e a legislação estadual vigente.
Feira ou exposição temporária precisa de PPCI no Paraná?
Sim. Toda estrutura que reúne público, inclusive tendas, pavilhões provisórios e feiras, está sujeita ao licenciamento do CBMPR. O tipo de processo depende da capacidade, da área e do material da estrutura.
Quais materiais são permitidos em tendas e estruturas temporárias?
O CBMPR exige que as lonas e coberturas de tendas sejam de material com tratamento retardante de chama (M2 ou superior, conforme NBR 6836 ou laudos equivalentes). Materiais inflamáveis sem certificação são proibidos.
Estande de exposição precisa de extintor?
Em regra sim. Estandes a partir de certa área devem ter extintor próprio. A quantidade e o tipo dependem do material exposto e do porte do estande, conforme a NPT 023 do CBMPR.
Quem é o responsável pelo PPCI em uma feira: o organizador ou os expositores?
O organizador da feira é responsável pelo projeto geral do evento e pela regularização do pavilhão ou espaço junto ao CBMPR. Os expositores respondem pelas medidas de segurança específicas do seu estande, dentro dos parâmetros definidos no projeto geral.
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